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Formação de cientistas ainda é restrita a poucas instituições

DE SÃO PAULO

A ciência brasileira é desenvolvida sobretudo dentro das universidades. Mas se todas dividem a responsabilidade de fazer o conhecimento avançar, algumas são bem mais produtivas que outras.

Apenas 20 das 195 universidades do país têm mais de um artigo científico publicado por docente a cada dois anos, considerando a base de artigos científicos Web of Science e o SciELO. Em geral, são trabalhos em português.

Na Unicamp, primeiro lugar do ranking, cada professor publicou, na média, quase um artigo por ano –foram 3,76 por docente entre 2012 e 2013. A instituição investe na base, mantendo programas de iniciação científica para os alunos de graduação e projetos de férias para os de ensino fundamental e médio.

A Unicamp dá um apoio específico aos docentes recém-contratados. "Fortalecemos o jovem pesquisador com uma bolsa enxoval [de até R$ 15 mil], que vai ajudá-lo a construir sua linha de pesquisa", diz Glaucia Maria Pastore, pró-reitora de pesquisa.

AS DEZ MAIS PRODUTIVAS - Números de artigos científicos publicados por docentes em dois anos*

Líder de um laboratório de química de renome internacional, Marcos Eberlin começou sua carreira de pesquisador há mais de 30 anos, na graduação, e continua fazendo pesquisas na Unicamp.

O diferencial, diz, é criar uma cultura para formar cientistas. "O aluno é mais do que alguém que vai operar um equipamento. Formo pesquisadores, não técnicos".

Fora de São Paulo, a instituição mais produtiva é a Ufla (Universidade Federal de Lavras), de Minas Gerais. O reitor, José Roberto Scolforo, conta que nos anos de 1970 todos os docentes ganharam bolsas para se titularem fora do país. "Aproveitando os que voltaram, a universidade começou um ousado programa de pós-graduação."

Hoje, cada docente recebe R$ 3.000 ao ano para fazer uma versão de artigos para o inglês. E quem publica em revistas de alto impacto ganha uma verba para congressos ou compra de materiais.

Mas, mesmo entre as 20 universidades que mais produzem no Brasil, ainda há pouco destaque lá fora. "Tivemos um crescimento grande nas boas universidades, de 40% a 50%. Mas quem já estava avançado no mundo também cresceu. Não nos destacamos", diz Rogério Meneghini, co-criador do projeto SciELO e consultor do RUF.

IRRELEVANTE

Na prática, a pesquisa em algumas instituições particulares é quase irrelevante.

Na PUC-RJ, a particular mais produtiva, as pesquisas trazem recursos financeiros à instituição. "Mais de 50% do nosso orçamento vem de projetos de pesquisa, feitos por convênios", diz o vice-reitor José Ricardo Bergmann.

A opção por convênios, porém, faz com que alguns resultados sejam sigilosos.

Na ponta de baixo, das mais improdutivas, há instituições de grande porte, como a Anhembi Morumbi (média de 0,01 artigo por docente em dois anos), Braz Cubas (0,02) e Unip (0,03).

O levantamento dos dados de impacto foi feito pelo pesquisador em ciência da informação Estêvão Gamba, consultor do RUF.

A Anhembi Morumbi não quis comentar. A Braz Cubas informou que mantém oito grupos de pesquisas registrados pelo CNPq e mais de 50 grupos de Iniciação Científica, com bolsistas custeados pela própria universidade.

A Unip diz manter com recursos próprios o Laboratório de Extração do Núcleo de Pesquisas em Biodiversidade na Amazônia, inaugurado em 1996 sob a coordenação do médico Drauzio Varella.

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